terça-feira, outubro 30, 2007

O Elogio da Ternura


... ou o 1.º aniversário do meu blog.


Enfim. 1 ano. E hoje não podia deixar de escrever alguma coisa pelas minhas mãos. Porque é dia de festejo, porque tem importância para mim. Porque, afinal, as datas repetem-se e lembram-nos. Ah! Vício maldito, este, da memória, capaz de nos levar ao sítio onde estavamos antes do aqui.

Antes do aqui foi um ano. Antes estive num país raro e voltei. Antes cansei-me, ri, chorei. Antes acreditei nas minhas certezas, acreditei nas certezas do meu coração. Jurei a pés juntos que não ia querer menos do que ser feliz. Não é o que toda a gente quer? Um Tango. Vadio. Eis a minha imagem da felicidade: música e mãos atadas, numa dança a dois conduzida... cumplicidade, amor e gargalhada!

O aqui é um texto de ternura. Talvez só saiba comunicar assim, nesta linguagem pura do afecto. Só me sei à espera da música perfeita, da palavra certa, do bater à porta inesperado que muda num segundo toda a vida. Gosto da luta, da conquista, e de guardar de forma inteira e franca o que ganho e o que me chega às mãos... se os amar.

É por tudo isto que vale a pena regar todas as flores, todos os dias. Ter pele de galinha. Esmurrar os joelhos. Nada se compara às borboletas na barriga, às mãos trémulas, frias, ao coração que bate forte quando pressente a presença.

Há um ano fiz este blog porque não conseguia dizer o que queria, com a coragem com que merecia ser dito... E agora estamos aqui! E nem sei que olhos lêem o que escrevo. Talvez alguns se repitam... e gostava. Não me cansei de gostar. E porquê?! Por causa do brilho nos olhos... é que ainda não encontrei nada mais próximo de ser feliz do que esse brilho.

Os meus olhos são verdes, e os teus?

segunda-feira, outubro 29, 2007

stand by me

When the night has come And the land is dark And the moon is the only light we'll see No I won't be afraid No I won't be afraid Just as long as you stand, stand by me And darling, darling Stand by me Oh now, now, stand by me Stand by me Stand by me Stand by me If the sky that we look upon Should tumble and fall And the mountain should crumble to the sea I won't cry, I won't cry No I won't shed a tear Just as long as you stand, stand by me And darling, darling Stand by me Stand by me Stand by me Stand by me Whenever you're in trouble, won't you stand by me Oh now, now, stand by me Stand by me Stand by me Stand by me And darling, darling Stand by me Stand by me Stand by me Stand by me...

quarta-feira, outubro 24, 2007

Cartão à Chuva

Não conheço imagem mais triste do que a de um cartão à chuva… e o meu vizinho insiste em deixar um à minha porta. Os cravos vermelhos murcham um a um, sinal de que o tempo passa e os distancia de uma qualquer revolução que comemoram. Há quem pense, à minha volta, que lançar anões por desporto é legítimo – se eles querem! Talvez essa imagem seja, ainda, mais triste que a do cartão à chuva… mas enfim, o que vale a vontade de cada um?! Com o quê que cada um se diverte?! Estranho.

Hoje chove. Continuamos debaixo da mesma chuva. Também gosto da chuva pela janela. Do cheiro da terra molhada. Só não gosto do cartão à minha porta que o meu vizinho insiste em substituir. Mas o que vale a minha vontade se não lhe disser de uma vez por todas que não gosto?! Eu que não tenho coragem de lhe dizer porque acho que ele não faz por mal… pelo contrário! Dei um pontapé no cartão. Amanhã vai estar lá outro a fazer de tapete. Mas pode ser que não chova.

terça-feira, outubro 23, 2007

under the same rain

"wherever you're going I'm going your way"
Moon River
(Breakfast at Tiffany's. 1961)


segunda-feira, outubro 22, 2007

The S word.

Que o Tejo nunca chegue a ser banal; como o Douro nunca foi. Hoje é S, de saudade. Hoje é S, de Soledade. Hoje sou *S*.

sábado, outubro 20, 2007

Rua da Regueira




Lisboa. Outubro 2007.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Para mim.

Hoje ficamos assim, sem imagens! Hoje ficamos assim, só com as imagens que tenho ainda no coração. Hoje ficamos assim porque não se repete. Mas hoje não me esqueço da música lembrada a olhar pró rio, que parecia mesmo escrita para mim. Porque hoje me lembrei que toda a vida quis que pudesse ter sido escrita para mim:

"Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento, enfim, parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece"
Sérgio Godinho
P.S. Não penso. Finjo!

quinta-feira, outubro 18, 2007

"Aquele que sempre vence"

Hoje chegou o Vicente... sê benvindo! É também minha a alegria de te ter por cá. Vais ter a sorte de ter uma das melhores tias do mundo. Como amiga, a melhor!
Parabéns Dani. Sei que não cabes em ti de contente - não é para menos. Vês como de repente nada importa... e tudo é tão mais bonito e importante?!

-Mafalda d'Alfama-


Faz 1 mês que vivo em Lisboa. Faz 1 mês que tanta coisa mudou! Que felicidade andar a passo com os sonhos, ainda por cima nesta cidade onde só soube ser feliz. Sabe bem morar ao pé do Tejo, ter uma janela em Alfama, onde se ouve riso de crianças, lamentos de vizinhas, e muito Fado. Ai que a minha alma portuguesa se encanta com esta rua... Com o privilégio que é dizer olá ao rio em cada manhã de sol! Estou bem. Estou sózinha. Estou cada vez mais apaixonada pela minha casa que até já tem um girassol. O bonsai está lindo, o Serafim tem uma posição nova em cada semana, os livros crescem nas prateleiras já pequenas. Já sei fazer com que a máquina de lavar não demore 2 horas a passar água nos trapos, e nunca mais nenhum cabo da rua derreteu. Tenho luz! E já como alguma coisa mais que cereais... isto de ter frigideira faz toda a diferença. Sou a raínha dos "salteados". Gosto da piscina ao fundo da rua que me cansa e me ajuda a dormir. Gosto da inevitabilidade do Chiado de cada vez que saio de casa. Gosto que a Feira da Ladra seja aqui ao lado só porque sim. Gosto de ter o Chapitô como café da freguesia. Já fui ao cinema. Já fui ao Bairro muitas vezes. Já fui ao Lux. Já apanhei sol no Adamastor. Já comi pastéis de Belém. A minha primeira compra em Lisboa foi um guarda-chuva, mas tirando esse dia parece que o Verão voltou. Falta muito para fazer. Tenho mesmo que estudar. Sinto a vossa falta. Mas nesta casa já ri e já chorei. Quando assim é, muda tudo!

Com saudades, M.

terça-feira, outubro 16, 2007

Por vezes...

Olá!

A vida por aqui começa a apertar de trabalho. Acabo de tirar da prateleira um livro preto, desses sisudos, com 1075 páginas! Coragem. Chama-se Direito do Trabalho, Volume I. No entanto, mesmo dos terrenos mais áridos é possível colher pétalas puras de ternura e poesia. Senão, leiam a dedicatória com que começa o duro livro:

" Ao meu avô materno que me ensinou a respeitar o trabalho;
À minha mãe que me ensinou a amá-lo;
Ao meu pai que me ensinou que era um erro amar o trabalho acima de todas as coisas;
À minha mulher, que nunca teve ciúmes da minha outra paixão, o meu trabalho;
À minha filha, que um dia disse,
Se o livro que o pai está a escrever não é um romance
Para quê tanto trabalho?
Aos meus alunos, pelos trabalhos que os fiz passar;
Ao meu Criador por se ter lembrado de mim
No seu trabalho."
Júlio Gomes
Vou-me ao trabalho, então. Um beijo. xxx

segunda-feira, outubro 15, 2007

Recordações da Casa Amarela


domingo, outubro 07, 2007

Lembrei!



“Ouve, merda, gosto de ti. Gosto da tonalidade dos teus olhos e das tuas mãos nos meus ombros quando fazemos amor, das pernas que se enrolam com força nas minhas e me atam, me prendem, me imobilizam, me impedem de sacudir as ancas, em avanços e recuos, à medida que me beliscas, e me mordes, e me insultas, e acabas por morrer como um bicho pequeno, de súbito inocente, indefeso, sem rugas, numa cascatazinha de gemidos magoados, de cara transtornada como se fosses chorar. Gosto de ser, por segundos, mais velho do que tu quando te dou prazer, quando obedeces, numa aceitação humilde, ao ritmo do meu púbis, quando os meus músculos inesperadamente se distendem e te deposito na vagina dois centímetros cúbicos de paixão. Gosto de me abraçar a ti, depois, de bochecha no teu peito (medes mais três centímetros do que eu, o que me leva sempre a procurar, nas ruas, o lado mais alto dos passeios), e saber que enquanto tomares conta de mim a minha vida caminhará, de acordo com imprevistos e caprichos que me escapam, de uma forma empenada mas segura.”

António Lobo Antunes, Auto dos Danados, Lisboa, 1986
Quem dera!

sexta-feira, outubro 05, 2007

Um dia ainda vôo nesse céu


"...Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente.Doente..."
Chico Buarque

quarta-feira, outubro 03, 2007

E esta, hein?