domingo, abril 25, 2010

a persistência da memória

Estava em Lisboa há um mês quando, em Outubro de 2007, decidi encher a minha mini casa de cravos vermelhos. Qualquer coisa de vida, qualquer coisa de popular, qualquer coisa de muito alegre nestes cravos que vieram festejar comigo a chegada, finalmente, da minha independência.
Sim, já tinha 18 anos há muito. Já tinha carro, curso, ordenado, já podia sair à noite até às tantas, já tinha feito plenos em várias queimas, férias sózinha, unhas vermelhas, namorados... Mas só em Setembro de 2007 tive, pela primeira vez, a minha casa.
Faz este fim-de-semana dois anos que me mudei para esta casa. As escolas de Matosinhos haviam inundado a rotunda de cravos vermelhos e o meu namorado, amavelmente, trouxe alguns. Estão até hoje na minha sala. Às vezes substituídos por outras flores mas sempre a postos a enfeitar a nossa vida. Porque o caminho da independência e da liberdade já não conhece outro destino...
Em 1974 não tinha nascido. Toda a minha vida tive direito aos pequenos gestos que os mais velhos me foram dizendo não ser possíveis...
Eu, desta geração a que chamam dos "500" que vejo todos os dias amigos partirem porque cá não há futuro. Eu, que tenho a minha liberdade enraizada no conforto que me dá a profissão que EU ESCOLHI. Eu, que sem 25 de Abril não poderia ser Juiz. Eu, terei sempre cravos vermelhos para além de Abril!

sexta-feira, abril 23, 2010

a trança

Talvez porque o meu cabelo sempre foi rebelde, desgrenhado, eriçado, indomável... cresci com as mãos da minha mãe atrás das minhas costas antes de sair para a escola...
Há qualquer coisa no acto de entrançar o cabelo que elogia a amizade entre meninas. Há qualquer coisa de profundamente feminino numa trança...
Depois há aquela parte do entrançar. Do unir com força. Do apertar. Do facto de ser também um nó, também um laço.
Podem ser duas, podem ser de lado, podem ser mais soltas, podem ser maiores, podem ser postiças, podem ser metidas, podem ser desfeitas...
Para mim, serão sempre bem-vindas!

quinta-feira, abril 22, 2010

This is a M's world...

... this is my [sweet] world

segunda-feira, abril 19, 2010

magma| fogo| lava| cinza

No Perú, perto de Arequipa, existe um Vulcão chamado Misti. A população habita as encostas do Vulcão sabendo que a qualquer momento o Misti pode entrar em erupção,.Nessa altura há que arrumar as trouxas, correr e rezar... não muito mais a fazer.
Viver cada dia como se fosse o último deve ser uma constante destes habitantes. Este imaginário poético do fugaz levou-me a pensar que se calhar, muitas vezes, aquilo que nos faz falta a nós, cidadãos da Velha Europa, é um Vulcão!
As notícias dos últimos dias têm-me feito pensar que se calhar não era bem isto. Mas que se calhar era mesmo isto. A Natureza é Mãe. É soberana. E às vezes gosta de dizer aos seus filhos que não passaram, ainda, da infância!

"O sexto planeta era um planeta dez vezes maior. Era habitado por um velho senhor de idade que escrevia livros muito grossos.
- Olha! Cá temos um explorador! - exclamou ele, quando avistou o principezinho.
O principezinho sentou-se em cima da mesa para tomar fôlego. Já viajara tanto!
- De onde vens tu? - perguntou-lhe o senhor de idade.
- Que livro é este, tão grande? - perguntou o principezinho. O senhor está aqui a fazer o quê?
- Sou um geógrafo - respondeu o senhor de idade.
- O que é um geógrafo?
- É um cientista que sabe onde ficam os mares, os rios, as cidades, as montanhas e os desertos.
- Que interessante! - disse o principezinho. Isto, sim, é uma profissão! E pôs-se a olhar à volta: nunca tinha visto um planeta tão majestoso.
- É bem bonito, o seu planeta. Tem algum mar?
- Não faço ideia - disse o geógrafo.
- Ah! - o principezinho ficou muito desiludido. E montanhas?
- Não faço ideia - respondeu o geógrafo.
- E cidades e rios e desertos?
- Também não faço ideia - respondeu o geógrafo.
- Mas o senhor é geógrafo!
- Pois sou, mas não sou explorador - disse o geógrafo. Tenho uma falta terrível de exploradores. Porque não é o geógrafo que há-de ir à procura de cidades, de rios, de montanhas, de mares, de oceanos e de desertos. O geógrafo é importante demais para andar a vadiar. O geógrafo nunca sai do gabinate. É no gabinate que recebe os exploradores. Faz-lhes perguntas e toma nota das respostas. E se aquilo que um lhe conta parece interessante, manda instaurar um inquérito à moralidade dele.
- Porquê?
- Porque um explorador mentiroso desencadeava autênticas catástrofes nos livros de geografia. E um explorador bêbado também.
- Mas porquê? - perguntou o principezinho.
- Porque os bêbados vêem a dobrar e o geógrafo podia assinalar a existência de duas montanhas, quando, na realidade, só havia uma.
- Conheço uma pessoa que dava um péssimo explorador - disse então o principezinho.
- É possível. Mas continuando: quando os costumes do explorador parecem bons, então instaura-se um inquérito à descoberta dele.
- Vão ao sítio verificar?
- Não, era complicado de mais. Exige-se é ao explorador que apresente provas. Por exemplo, se ele tiver descoberto uma montanha enorme, exige-se-lhe que traga de lá uns calhaus enormes.
De repente o geógrafo ficou todo emocionado.
- Mas tu, tu vieste de muito longe! És um explorador! Anda, descreve-me o teu planeta!
E o geógrafo, depois de abrir o livro de registos, pôs-se a afiar o lápis. As descobertas dos exploradores são primeiro anotadas a lápis. Só são passadas a tinta depois de o explorador apresentar provas.
- Então, quando é que começas? - perguntou o geógrafo.
- Oh! Lá, onde eu vivo, não há grande coisa. É um sítio muito pequenino. Tenho três vulcões. Dois vulcões em actividade e um vulcão extinto. Mas nunca se sabe...
- Pois não, nunca se sabe... - disse o geógrafo.
- E tenho uma flor.
- As flores, não as assinalamos - disse o geógrafo.
- Porquê? É o mais bonito de tudo!
- Porque as flores são efémeras.
- E "efémero" quer dizer o quê?
- As geografias - disse o geógrafo - são os livros mais preciosos que há. Nunca passam de moda. É raríssimo que uma montanha mude de lugar. É raríssimo que um oceano se esvazie. Nós só escrevemos coisas eternas.
- Mas os vulcões extintos podem despertar - interrompeu o principezinho. E"efémero" quer dizer o quê?
- Para nós os vulcões estarem extintos ou em actividade é exactamente a mesma coisa. Para nós o que conta é a montanha. Essa não muda.
- Mas "efémero" quer dizer o quê? - repetiu o principezinho que, sempre que fizera uma pergunta, nunca em dias da sua vida desistira dela.
- Quer dizer que "está ameaçado de desaparição a curto prazo".
- Então a minha flor está "ameaçada de desaparição a curto prazo"?
- Evidentemente!
"A minha flor é efémera", pensou o principezinho, "e só tem quatro espinhos para se defender do mundo inteiro! E eu deixei-a lá sozinha!"
Pela primeira vez arrependeu-se de ter partido. Mas logo recobrou ânimo:
- E agora o que me aconselha a visitar?
- O planeta Terra - respondeu o geógrafo. É um planeta com boa reputação...
E o principezinho foi-se embora, sempre a pensar na flor."
Antoine de Saint-Exupéry, "O Principezinho"

domingo, abril 18, 2010

domingo


Uno busca lleno de esperanzas el camino que los sueños prometieron a sus ansias... Sabe que la lucha es cruel y es mucha pero lucha y se desangra por la fe que lo empecina. Uno vaarrastrandose entre espinas y en su afan de dar su amor sufre y se destroza hasta entender, que uno se ha quedado sin corazon... Precio de castigo que uno entrega por un beso que no lllega o un amor que lo engaño. Vacio ya de amar y de llorar tanta traicion!... Si yo tuviera el corazon, el corazon que di... Si yo pudiera como ayer querer sin presentir... Es posible que a tus ojos que me gritan su cariño los cerrara con mis besos... Sin pensar que eran como esos otros ojos, los perversos los que hundieron mi vivir... Si yo tuviera el corazon, el mismo que perdi... Si olvidara a la que ayer lo destrozo, y pudiera amarte, me abrazaria a tu ilusion para llorar tu amor. Pero Dios te trajo a mi destino sin pensar que ya es muy tarde y no sabre como quererte... Dejame que llore como aquel que sufre en vida la tortura de llorar su propia muerte. Pura como sos habrias salvado mi esperanza con tu amor... Uno esta tan solo en su dolor, Uno esta tan ciego en su penar... Pero un frio cruel que es peor que el odio, punto muerto de las almas, tumba horrenda de mi amor, maldijo para siempre y me robó toda ilusión...!

terça-feira, abril 13, 2010

Eu gosto é do Verão

quinta-feira, abril 08, 2010

confortably numb

::a coincidência é a forma que Deus tem de permanecer anónimo::

Einstein

quinta-feira, abril 01, 2010

London Calling

London calling to the faraway towns Now war is declared - and battle come down London calling to the underworld Come out of the cupboard,you boys and girls London calling, now don't look to us Phoney Beatlemania has bitten the dust London calling, see we ain't got no swing 'Cept for the ring of that truncheon thing

The ice age is coming, the sun's zooming in Meltdown expected, the wheat is growing thin Engines stop running, but I have no fear Cause London is drowning and I, live by the river London calling to the imitation zone Forget it, brother, you can go at it alone London calling to the zombies of death Quit holding out - and draw another breath London calling - and I don't wanna shout But while we were talking I saw you nodding out London calling, see we ain't got no high Except for that one with the yellow eyes

The ice age is coming, the sun's zooming in Engines stop running, the wheat is growing thin A nuclear error, but I have no fear Cause London is drowning and I, I live by the river
Now get this London calling, yes, I was there, too An' you know what they said? Well, some of it was true! London calling at the top of the dial And after all this, won't you give me a smile? London Calling

I never felt so much alike, like-a, like-a...

||The Clash||