terça-feira, maio 29, 2012

amigos

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
 A. O'Neil

As vésperas de uma etapa, quando se pressente o fim da mesma, são sempre uma altura de balanço. Não mais terei 30 anos. E reconheço neste ano o mais difícil da minha vida. Não o mais trabalhoso. Não o mais cansativo. Não o mais chuvoso. Não o mais penoso. E não tem nada a ver com a crise. O mais difícil porque em cada dia quis que não fosse real. Que me acordassem e dissessem que era mentira. Que ia tudo voltar a ser como antes. E nada mais voltou a ser como antes. Inacreditavelmente coisas  houve que até se tornaram melhores. Mas o buraco, a cratera, a ferida num coração a escorrer sangue, essa só aos poucos se vai fechando. Certo é que a vida continuou. E quero-a contínua. Cheia de cor e riso e esperança no futuro. Sem que me abale a confiança de que é boa. Sem que me abale a confiança de que é minha. Já perdi outras pessoas. Sinto-lhes falta. Da idade adulta leva-se a impossibilidade de negar que já não voltam. Colam-se à pele as memórias de todos os que afaguei. Levo comigo mais despedidas que as que a minha vontade ordenaria. Levo comigo a pena que tenho em não ter expressado mais os sentimentos. Mas foi assim. Foi assim que foi. Como um poema que nunca passa do rascunho, até que alguém o publique sem sabermos e contra a nossa vontade...
Por isso, e mais uma vez, aos meus amigos. De quem não abro mão. A quem não nego nada. Por quem faço todas as figuras que me permitirem. A quem digo disparates só para os ouvir rir. Os que defendo acima de todos os erros. E fico. E amo. Ainda que com este feitio que às vezes atordoa... repito, porque sei o quanto a vida pesa: Aos meus amigos. Também porque do alto do livre arbítrio que me faz humana os meus amigos são um hino à liberdade que os entoa. A escolha, essa, não a sei motivada... mas quem precisa de motivos para amar?

Espero ter-vos amado sempre bem, porque nunca duvidem que vos amo muito

sexta-feira, maio 25, 2012

Se já me tivesse lembrado...


... provavelmente tê-lo-ia escrito.

No meio das discussões alternadas da minha adolescência - alternadas entre mim e o meu pai e entre mim e a minha mãe - muitas vezes recorria a um golpe baixo, nada honesto e digo já, pouco produtivo:

- Não percebo! Não me devias defender a mim?! Eu é que sou tua filha! Não vês as atrocidades a que me estão a sujeitar?!

(sim. sou boa no melodrama mas nada eficaz)

Em uníssono - talvez o tivessem combinado, ou talvez não ... - sempre a mesma frase [poetizada e no essencial]:
"O teu pai (A tua mãe) é a pessoa mais importante da minha vida! E juntos tivemos a pessoa mais importante da nossa vida a dois!"


E assim se definiu em curta frase o meu lugar.


Nunca me senti menos amada por isso, mas sempre soube que há um espaço deles para além do meu. É o que está antes, o que fica com eles quando a porta se fecha e eu não entro sem bater. E o que se prolonga no amor que sentem mesmo depois de eu ter embalado a trouxa e zarpar...


P. S. Obrigada Ana A. por me fazeres lembrar como é bonito ser fruto do amor...




segunda-feira, maio 07, 2012

Eterno Retorno

"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"


in A Gaia Ciência
 
Eterno retorno é um conceito filosófico formulado por Friedrich Nietzsche e aplicado na prática em mim!
 
Karma's a bitch. Mas diverte-me...