sábado, outubro 30, 2010

2 + 2

... igual a 4. Os 4 ricos anos do meu blog.

'Por não poder viver a história da minha vida, decidi escrevê-la.'

= Os Livros =
A minha paixão para este ano.

Foram muitos os romances que tive em mãos. Pude viver mil casos amorosos sem trair nenhum. Amando eternamente cada um deles; sem ciúmes; sem obrigações; voltando a eles ao simples toque da vontade. Mas certa sempre que a narrativa estava completa no fim do livro. Sem acrescentos.
Por tudo o que me fazem rir e chorar. Pelas ilimitadas asas da imaginação quando forma as imagens das personagens. Quando os escritores me dão a liberdade de as fazer minhas: posso pô-las mais gordas, mais sorridentes, menos simpáticas... com a certeza que ninguém me vai dizer que não são assim. Porque os livros também são essa pátria da pura liberdade.
São letras. Cheiros. Páginas.
São o sítio onde se guarda uma folha de Outono, um recado, uma fotografia e tantas gargalhadas. São o lugar onde eu e a minha mãe e o meu pai vivemos de cada vez que nos contávamos histórias de embalar.
São melhores amigos. Melhores amantes. Melhores educadores. Grandes professores.
Mimo. Afago da alma. Estalo na alma. Paixão e calma. Biblioteca. Murmúrio de tempo e templo de silêncio.
Os livros. Essa realidade mágica que nos permite a partilha a dois tempos. Eu que li. Tu que leste. Também leste? Gostaste? E aquela parte em que ela parte e ele - de olhos triste - sim, essa? É linda... e eis que os olhos se encontram e percebem que se eu li e tu leste e gostaste - sim, dessa parte - então...
Sem eles este blog não faria sentido - por tantas citações que lhes roubei e por tantos destinos que lhes encontrei na minha vida.
Sem eles eu não faria sentido...

Também por isso passaram quatro anos. Olhando para trás passou tão pouco. Vivos, ainda, todos os motivos que me levaram a este canto. E outros tantos que nesta estrada foram surgindo. Não sei se já voou ou se ainda é um filho agarrado às minhas saias... mas gosto dele como um pedaço de mim que se animou.

E gosto de vocês. Como gosto!

Parabéns.

Tropeçavas nos astros desastrada Quase não tínhamos livros em casa E a cidade não tinha livraria Mas os livros que em nossa vida entraram São como a radiação de um corpo negro Apontando pra a expansão do Universo Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso (E, sem dúvida, sobretudo o verso) É o que pode lançar mundos no mundo. Tropeçavas nos astros desastrada Sem saber que a ventura e a desventura Dessa estrada que vai do nada ao nada São livros e o luar contra a cultura. Os livros são objetos transcendentes Mas podemos amá-los do amor táctil Que votamos aos maços de cigarro Domá-los, cultivá-los em aquários, Em estantes, gaiolas, em fogueiras Ou lançá-los pra fora das janelas (Talvez isso nos livre de lançarmo-nos) Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los Podemos simplesmente escrever um: Encher de vãs palavras muitas páginas E de mais confusão as prateleiras. Tropeçavas nos astros desastrada Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.

Caetano Veloso | Livros


segunda-feira, outubro 18, 2010

smells like teen spirit

... porque a vida pode ser realmente muito doce*

segunda-feira, outubro 11, 2010

desassossego


Quando a genialidade nos toca em qualquer das suas formas é como se nós próprios nos tornássemos um nadinha geniais. De repente, um átomo inspira-se e cresce em mim a sensação de que também posso. Não posso. Claro que não posso. Não consigo. Mas só o prazer que dá cada palavra, martelada, bem dita, bem escrita, bem formada já deve ser por si bastante para me fazer crescer alguma coisa.
Não foi o filme. É claro que não foi o filme. A nú ficou a ânsia do realizador que se ousou despir só para também ele mostrar o prazer que há em amar as letras. É o livro. É aquele livro. E há que dizê-lo, são as cores com que o tal realizador logrou pintá-lo. Os livros são de quem os apanhar. Quem os quiser. Para mim foi sempre cinzento mas em nada o estragou o excesso de côr. De repente, graças ao poeta, a minha cabeça enchia-se de ideias. De calor. O coração batia ao identificar-me com pensamentos em mim identificáveis e um indescritível burburinho da pele... o latejar intenso de uma criança diante de algo enorme. Como se pode ser tão bom? Como se pode ser tão bom, sabendo-o e rejeitando o mau sem deixar de ser tão bom?

Eis-me aqui, de novo adolescente. A olhar para as minhas mãos, para a minha vida. A desejar escrever alguma coisa que faça sentido. A desejar dizer que depois de ti me tornei tudo. Mas não depois de ti, Pessoa. Ou Eugénio. Ou António. Ou Virgílio. Ou David. José. Miguel. Depois de ti. Depois de mim depois de ti. Das vezes que os teus olhos me encontraram a tentar descobrir por onde andas. Das vezes que os meus gestos se animaram para logo a seguir me acalmar do excesso. Dos tempos em que a palavra ansiava por não passar de uma conversa dia-a-dia. Das noites em que o sono por não vir, me ia violentando em cada pensamento. Por todos os momentos em que a realidade se mostrou tão nítida que nenhuma dúvida havia que a fizesse mais comprida. Porque me fui tornando e vou tornando maior sempre depois. Depois de um livro. De um filme. De um café. De um curso. De um caminho. De um Amigo. De uma viagem. De um sorriso. De uma música. De um concerto. De uma história...

A vida está sempre depois.

domingo, outubro 03, 2010

and it's all

... e vou dormir a pensar que há poucas coisas na vida tão boas como acabar um Domingo a ver o Annie Hall, a dois!

sábado, outubro 02, 2010

Outubro: 2 Outono: 1


Não sei se é o barulho do vento na árvore que vive à porta desta minha casa e que já a vai despindo de folhas. Ou o calor que me dão as mudanças nos armários que fecham sandálias e limpam as botas. Ou o afago que me dá a imagem das mantas que percorrem os sofás. Ou o protagonismo do chá na fila da frente das prateleiras.

Mas acho que fechei o Verão. Fechamos...