domingo, outubro 30, 2011

Assim que passarem cinco anos

No 5.º ano do meu blog a paixão escolhida é o Direito.

Esse tão árido objecto de desejo!

Podia escolher ainda mil amores. A vida graciosamente deu-me vários. Mas escolho o meu companheiro de todos os dias. Aquele que me preenche parte das horas. Onde, ainda que cansada, desiludida, desmotivada às vezes, busco e encontro momentos de prazer. Escolho, por isso, o dia-a-dia, o "rame-rame", a rotina. O trabalho. O estudo. O esforço. Escolho esse amigo que me ensinou que a palavra sucesso pode ser, apenas, um acontecimento. Escolho o mérito...

Na tarefa dos dias ponho amor. O amor que guardo às opções que tomo. Não me vejo a fazer outra coisa e não me sei a não fazê-la. Entrego-me às decisões como às pessoas, acreditando, como há 15 anos, que posso mudar o mundo. E posso.

O meu destino traçou-se muito cedo. Quando o passeio das virtudes fazia parte do meu percurso matinal rumo à escola. Atrás dele, mirando a paisagem erguia-se imponente um palácio. De olhos vendados de frente para o jardim (que atravessava rumo ao trabalho do meu pai) lá estava ela vendada e poderosa. Soube-lhe o nome desde sempre. Achei-a sempre princesa. E quis-me um dia a olhar por aquela janela. O meu sonho desenhou-se desde cedo: uma casa pró mar, um trabalho pró rio. A mesma cidade. Não sei se um dia... Para já 100 km me afastam de casa. Para daqui a nada talvez mais.

Ainda assim:
A profissão faz-me maior, faz-me melhor e faz-me bem.

E escolho-a sobretudo porque acho bonito que a Justiça figure nestes anos corridos a tinta ao lado de tudo o que me faz feliz.

Quando entrei na Faculdade de Direito tinha receio de não chegar ao fim. Diziam-me que a faculdade era um mundo novo, com professores distantes e notas baixas. Fiz cada um dos 5 anos. Seguidos. Saí à noite, estive na tuna, no jornal, no teatro, na bossa-nova. Fui a manifs, fui a cafés, fui a risos e a banhos em noites geladas de amigos e Porto... Há 5 anos embarquei na aventura de tentar o sonho. Mais uma vez a vida esteve lá para mim.
A Ritinha só queria o mesmo que eu... e a partir de agora percorro cada ano de trabalho com a memória dela ao pé de mim. Inspirada pela extenuante saudade que lhe guardo e com respeito ao sonho que ela tinha. A Rita teria sido muito melhor que eu!





quarta-feira, outubro 26, 2011

I will miss you summer...

... but not yet

If I was the heart and you were the head
Would you think me very foolish, if one day I decided to shed
These walls that surround me, just to see where these feelingsled?
If I was the heart and you were the head...

segunda-feira, outubro 17, 2011

O regresso d'O Mostrengo

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes;
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

F. Pessoa

Repetir, para acreditar.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Outubro


... ou a crónica de um dia perfeito*

Sexta-feira. Ao sair da rua encontro a praia. Encontro a praia contra o peito. Do Pedro. Almoço sossegada e animada. Depois do sol mas ainda o sol daquele largo que já espreita o rio. No Porto. Na cidade onde me encontro ao fim da tarde, num jogo. Que não ganho nem ganhas mas que nos cansa e descansa agora nos verdes olhos do meu pai. À noite volto à casa. Da música para ouvir a música que a minha vida espalha. Em todas as memórias de todas as casas que habitei. Banda sonora do amor que me inventou.

No fim volto a casa. À nossa. Que cheira a mar e amor. E a detalhe. O que faz de nós o que nós somos.

Ao meu Pai. Pelas raízes. Ao Pedro, pelas asas.
Ao meu Pai, por me ter mostrado até as dobras dos joelhos da cidade onde se estende a minha alma.
Ao Pedro, por ter o corpo onde a deito quando regresso a mim.

PS. Diz-se Outubro. Chama-se Outono. Mas sabe ao mais quente Verão...

domingo, outubro 02, 2011

carrossel


"Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. "
Miguel Esteves Cardoso