sexta-feira, agosto 26, 2011

O Mundo


Um dia, daqueles que há muito se perderam, perguntaste-me o que era o mundo. Pensando ser mais simples (arranjo sempre uma forma de simplificar tudo...) mostrei-te um globo. Diante da pequenez daquele mundo que conseguias segurar nas mãos, mesmo em face da tua pequenez, olhaste-me curiosa mas sem parar de acreditar em mim. E perguntaste: e nós estamos aqui?
Agora sou eu que olho o mundo incrédula. Queria segura-lo nas minhas mãos grandes mas ele é imenso. A pergunta é a mesma mas já não tenho a resposta que te dei. Tornaste-te maior que eu e voaste além do tempo. Estás aqui?

sábado, agosto 13, 2011

À bientôt!


Picasso; Matisse; Cézanne; Chagall; Van Gogh; Dufy; Monet; Renoir; Gauguin; Signac; Klein (e teu azul): aí vou eu espraiar o corpo, a alma, os olhos no mar e na luz que vos encantaram! Bisous*

quinta-feira, agosto 11, 2011

"Guns of Brixton"

When they kick out your front door
How you gonna come?
With your hands on your head
Or on the trigger of your gun

When the law break in
How you gonna go?
Shot down on the pavement
Or waiting in death row

You can crush us
You can bruise us
But you'll have to answer to
Oh, Guns of Brixton

The money feels good
And your life you like it well
But surely your time will come
As in heaven, as in hell

You see, he feels like Ivan
BORN under the Brixton sun
His game is called survivin'
At the end of the harder they come

You know it means no mercy
They caught him with a gun
No need for the Black Maria
Goodbye to the Brixton sun

You can crush us
You can bruise us
But you'll have to answer to
Oh-the guns of Brixton

The Clash | 1979

Hoje, como ontem? Em parte... só.

quinta-feira, agosto 04, 2011

amor a gosto


O essencial é amar os outros. Pelo amor a uma só pessoa pode amar-se toda a humanidade. Vive-se bem sem trabalhar, sem dormir, sem comer. Passa-se bem sem amigos, sem transportes, sem cafés. É horrível, mas uma pessoa vai andando.
Apresentam-se e arranjam-se sempre alternativas. É fácil.
Mas sem amor e sem amar, o homem deixa-se desproteger e a vida acaba por matar.
Philip Larkin era um poeta pessimista. Disse que a única coisa que ia sobreviver a nós era o amor. O amor. Vive-se sem paixão, sem correspondência, sem resposta. Passa-se sem uma amante, sem uma casa, sem uma cama. É verdade, sim senhores.
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mai tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.
O amor é que fica quando o coração está cansado. Quando o pensamento está exausto e os sentidos se deixam adormecer, o amor acorda para se apanhar. O amor é uma coisa que vai contra nós. É uma armadilha. No meio do sono, acorda. No meio do trabalho, lembra-se de se espreguiçar. O amor é uma das nossas almas. É a nossa ligação aos outros. Não se pode exterminar. Quem não dava a vida por um amor? Quem não tem um amor inseguro e incerto, lindo de morrer: de quem queira, até ao fim da vida, cuidar e fugir, fugir e cuidar?

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Dedico a abertura deste Agosto chuvoso, o primeiro em muitos que inicio no Porto. com as temperaturas mais baixas dos últimos 27 anos: à saudade de me espraiar a sul. à ternura do regresso ao minho. à nostalgia do saco cama. e ao amor eterno, desprendido, despudorado, descomprometido, livre, puro, inteiro e verdadeiro de quem ama pelos poros, pela pele, pelas entranhas, pela saliva, com a alma nua e despojada. será para sempre assim...*

terça-feira, agosto 02, 2011

Porque é sempre de vida que se fala...


And death shall have no dominion.
Dead mean naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan't crack;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.

Dylan Thomas

segunda-feira, agosto 01, 2011

lá, lá, lá, lá, lá, lá...

Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love...

Leonard Cohen