quarta-feira, dezembro 26, 2012

O melhor do (meu) Mundo...

terça-feira, dezembro 18, 2012

vida.minuto.curva.sopro

2012 aperfeiçoou-se como se algum poeta achasse que por fim eu merecia umas horas tecidas a poesia.
Tive sempre a sensação que a minha vida assenta em concidências, o que me dá um aperto e um conforto...
Mesmo no fim, do ano e de uma vida, há pontas que se atam...

A minha paixão pela arquitectura nasceu comigo: sou uma escrava de tudo o que é bonito desde tão cedo! Desde aquele banco da Parnaso quando ia para a escola. Que nunca resisti à admiração por quem constrói o mundo de forma concreta, palpável e que definitivamente o altera. Mais ainda porque nunca o poderia ter sido: às mil ideias que me passam pela cabeça junta-se a total inabilidade das minhas mãos.
Também nessa paixão assentou sempre a curiosidade: em saber correntes, características, nomes; fazer brilharetes ao identificar edifícios, nada me saber tão bem como as cidades e deslumbrar-me, ainda, com aquele arco de betão que tanto adoro e que me reside à porta e me une casas.

Casei com um Engenheiro Civil. A menos poética das artes da construção. Mas admirei-lhe o gosto pelas pontes, viadutos, estruturas, pelo betão... .

E depois?
Depois há o Pedro quando fala de Niemeyer. Há o Pedro no Rio de Janeiro com olhos de aprendiz perante a obra. Há o Pedro a mostrar-me o livro que vive nas prateleiras do arquitecto que o educou. Há o Pedro que uma vez me disse, quando elogiei as rectas: - sabes o que o Niemeyer disse?

"Não é o ângulo reto que me atrai
Nem a linha reta, dura e inflexível
criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual
A curva que encontro nas montanhas
do meu país
No curso sinuoso de seus rios
...nas ondas do mar
nas nuvens do céu
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o Universo.
O Universo curvo de Einstein".

... e assim se aproximou do meu mundo de poetas!


* só hoje porque só hoje vi o documentário "A vida é um sopro"; e me arrepiei, emocionei, quase chorei e cito:

"Eu acho que a vida é um minuto. O ser humano é completamente desprezado, nasce e morre. Então o sujeito tem que olhar pro céu e sentir que é pequenino, que tem que ser modesto, que nada é importante. A vida é um sopro, um minuto. Então não há razão pra esse ódio todo".

O minuto dele durou 104 anos. Vendo bem, foi pouco. Mas não é sempre pouco?

Ah! Se não nos virmos antes, Feliz Natal!





terça-feira, dezembro 11, 2012

Mérito

mérito
s. m.s. m.

1. Merecimento.
2. Aptidão.
3. Superioridade.
4. Valor moral, intelectual.

Não sou de falar de política no blog. Não vou em arregimentações. Não gosto dos partidos que temos, embora entenda que a Democracia se faz de partidos. Não gosto dos políticos que temos. Não gosto do estado a que chegou o meu País. Aos meus amigos que me falam em emigrar normalmente digo: Vão! Porque noutros países provavelmente darão um melhor futuro aos filhos e a si próprios. A minha profissão liga-me a este e quero exercê-la; por isso fico por cá, por enquanto.

Sou católica. Aquando da escolha das leituras o meu Padre (que também é jornalista, crítico, Professor e um Humanista) disse-me: a palavra caridade, escolham-na! Mas nunca a confundam com caridadezinha...

Acredito nisso. Nisso acredito: Na doutrina cristã que conheço desde muito cedo: o amor ao próximo; a família; a entreajuda; a solidariedade.

Mas não me vendam mais nada. Não me vendam caridadezinhas; casas brancas pobrezinhas mas limpinhas. Sobretudo hasteadas por pessoas a quem nada nunca foi negado.

Os meus pais ensinaram-me que só pelo trabalho se chega ao que queremos; o que me deram foi o maior dos valores: a possibilidade de aceder à educação e à cultura, únicas formas de elevação de um Povo. E assim fui, de conquista em conquista, não negando o sucesso que veio do trabalho, do esforço e do brio nas duas palavras.

Outros terão dito: inscreve-te numa jota. muda de opinião mas não a fundamentes, ninguém quer saber... faz amigos nos sítios certos. arranja conhecimentos.

Outros terão pensado: ainda bem que o fiz.

Eu não fiz nada disso. A mim ninguém me disse nada disso. E é com toda a humildade que aceito o mérito que -  inesperadamente - me atribuem.

Das ideias às coisas que tenho: tudo é meu.

No meio duma feira, uns poucos de palhaços
Andavam a mostrar, em cima dum jumento
Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços,
Aborto que lhes dava um grande rendimento.

Os magros histriões, hipócritas, devassos,
Exploravam assim a flor do sentimento,
E o monstro arregalava os grandes olhos baços,
Uns olhos sem calor e sem entendimento.

E toda a gente deu esmola aos tais ciganos:
Deram esmola até mendigos quase nus.
E eu, ao ver este quadro, apóstolos romanos,
Eu lembrei-me de vós, funâmbulos da Cruz,
Que andais pelo universo há mil e tantos anos,
Exibindo, explorando o corpo de Jesus.

Guerra Junqueiro