terça-feira, outubro 30, 2012

Seis !!! !!!

O meu blog faz seis anos! E O Meu Chico enfeita o bolo!

No sexto ano do meu blog escolho Chico Buarque.

Escolho Chico no ano em que os meus pés sentiram pela primeira vez o Rio e o Brasil. País que guarda tanta parte do que gosto.

Nasci com Chico em vinil. E ultrapassei todos os amores que lhe sentiam lá por casa. Nos dias que se seguiram à morte da minha avó Manela apaixonei-me definitivamente enquanto ouvia e repetia a "Mais um dia". E sempre soube que foi a partir daí. Como um namorado que se conhece numa data certa. Foi quando herdei os discos das "Selecções" da minha avó, no dia em que decidi que "O Melhor de Chico" me aproximaria da sua alma...

Foi quando o meu pai disse que a "Terezinha" não era para a minha idade e lhe fui buscar a letra para perceber das coisas que não eram para a minha idade. Foi quando trouxe a "Ópera do Malandro" de casa da minha tia para passar para cassete... e quando vi a "Ópera do Malandro" e escrevi no caderno a letra d'"O meu amor"... sonhando com o dia em que alguém me amasse assim; fisicamente!

A cada novo disco que comprava, arranjava, gravava, descobria uma outra letra, um outro som... um arrepio na pele que não conheço em mais ninguém na forma de tanto!

Quis sempre aqueles amores. aqueles amores normais, porque tão tortos; aqueles amores banais, reais, possíveis... aquela paixão ao dia-a-dia, ao ser-se, aquela forma de escrita,  que é tão doce, as descrições daquela cidade incrível e a minha falta de mestria ao falar dele...

Escolho Chico porque contém o dia em forma de poesia e o embrulha em música!

Quando cheguei ao Rio, já Outubro, nem estava a acreditar no que os meus olhos viam. E Chico tem as vogais de Rio, que é sílaba de Rita e letras do meu nome...

... e também porque curiosamente faz 6 anos que vi e ouvi Chico, no Porto!

"Estava à toa na vida, o meu amor me chamou, pra ver a banda passar, cantando coisas de amor"

A Banda // Chico, o meu*




terça-feira, outubro 23, 2012

A propósito do último mês...


não deixa de ser curioso que durante mais de um ano a minha vida se tenha direccionado para um dia e de repente, nem uma linha sobre ele...
o agora meu marido diz que tenho escrito pouco e que tem saudades de me ler. é querido o meu marido. sem modéstia, é o melhor.
explica-se por uma espécie de depressão pós-êxtase, misturada com o dia-a-dia atarefado e uma certa paixão pelo exclusivo.
agora sei que casar é diferente. não é definitivamente a mesma coisa: ah, já vivemos juntos há quase 5 anos - esqueçam! há um mês acordei mulher do Pedro e não foi só o meu nome que mudou.
mudou tudo.
Mafalda, nascida Rio, 31 anos, Porto.
Como naquele dia no mediterrâneo, quando não me apeteceu ter máquina para fotografar coisa alguma porque os meus olhos me sobravam de tanta beleza. foi assim. puro e simples como sempre imaginei. na riqueza extrema da palavra "puro", na nobreza suprema da palavra "simples"... foi como nos sonhos! foi de partilha, comunhão e quase mágico. ainda não sei dizer o que senti quando os vi a todos, juntos por nós, de felicidade empunhada para nos receber; de sorrisos abertos pelo desejo de que sejamos felizes. não consigo ir além do misticismo ao acreditar que não faltou ninguém, mesmo quem já só falta.
não consigo acreditar que a música do Bowie não tenha sido escrita para nós. e que bem que soube o Bowie! a presença engalanada de cada um, vestido e aprumado à sua maneira, todos cheios de si, e sem falhas. impecável. o discurso do Padre que pouco me conhece e me fala d'O Principezinho e dos laços - o principal motivo porque gosto de laços e os olhos cúmplices da Dani porque é ela que tem os cabelos de trigo! e o bolo cheio de laços. e as mesas cheias de laços... de outros laços. desses mesmo, os que importam.
uma pin-up que me conduziu num Jag. um motorista quase-russo num carro francês de rímel e papillon, the car not the driver. uma música de primas, uma história animada de amigos: tantas surpresas!
é verdade que comecei a namorar ao som da Cinderela, numa idade em que já poucos se lembram do Carlos Paião e desconfiei desde esse segundo que a minha vida ia mudar...
é verdade que dançamos aquela valsa em casa, sem treinos, e às vezes nos chateamos e que caíram confetti - a do kubrick! nesse filme tão bizarro sobre a vida normal - é verdade que o Lou pôs Lou Reed e a vida toda se conjugou!
que fiz origami e os pus nas árvores. que pusemos amores perfeitos em frascos e nos lembramos de Shakespeare em "Sonho de uma Noite de Verão", naquela que foi a primeira do Outono. E houve balões brancos que levaram recados. e houve flores brancas - tantas - e houve bolas de sabão... e risos de crianças, que são tudo o que importa. E um girassol.

Foi perfeito porque foi imperfeito. E assim foi perfeito.

O que se seguiu foi o amor...

"We Are Absolute Beginners"