quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Partidas



"Embarquei embargada.
Deixei o Porto cheia das tantas lágrimas até então contidas.
Deixei a Primavera e as suas flores.
Deixei os morangos e as cerejas.
Deixei o Verão em Miramar.
Deixei os finais de tarde na ribeira.
Deixei o vinho do Porto e as conversas inacabadas.
Deixei o forró e o tango.
Deixei as idas por esse Verão em que todos os sonhos são eternos.
Deixei um Verão cheio de dias longos.
Deixei todo um oceano para me confinar a um mar.
Deixei as cervejas bebidas no conforto da rua.
Deixei um Outono e o som das folhas secas. O cheiro a magusto e castanhas.
Deixei...
Cheguei.Comecei hoje um longo caminho de regresso a casa.
Trago-vos comigo."

Este texto não é, obviamente, meu.
E nem sequer pedi autorização para o publicar; é demasiado perfeito para que não o fizesse ou para que estivesse dependente de autorizações.
Consegui apenas responder: "Às vezes é preciso ouvir quem parte para perceber o tanto que temos por cá!"
Quando o que devia ter respondido era: "Quando voltares estará tudo igual e à tua espera, porque o amor fica sempre inteiro no lugar em que o deixamos."
Mas sabes? Nas letras li as despedidas todas. Entre Janeiro e Fevereiro vi partir quatro amigos. Que se juntaram aos já tantos pedaços de coração espalhados pelos quatro cantos do Mundo...
Há uns anos, quando havia um jantar de despedida a felicidade imperava: uma nova casa se criava em outro lugar e sabíamos que haveria tempo para visitas e viagens...
Hoje a vida é mais complicada. Mais exigente... Deixa-nos sem espaço para os tantos beijos e abraços que queríamos dar e às vezes mesmo quem está perto está tão longe...
Em cada despedida é inevitável o medo que temos de nunca mais nos voltarmos a ver!
Mas tenho sempre a certeza que é pelo melhor; que é por uma vida melhor; e nessa altura os abraços são de força e de coragem. Como em qualquer aventura.
Por isso, todos têm a minha mais sincera admiração. Os votos dos maiores sucessos. O desejo de que encontrem a felicidade e a realização que este País não soube dar aos seus; e a esperança, tão grande esperança, na frase que um dia me disseram na despedida:

"Não te preocupes. Eu volto."

Os meus braços serão no regresso maiores e mais fortes. Temperados com a dose enorme da saudade. 
Tenho-vos comigo*

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

'amarcord'

Há um dia em que te lembras do dia em que nasceste. Embora não te possas lembrar de como foi. Mas sabes que existiu, tem uma data, uma hora e é – terá de ser – o dia mais importante da tua vida.
Depois, há aquele em que pressentes que nascerás outra vez.
Há um dia em que acordas e te recordas de quase tudo o que passou por ti: dos cheiros às pessoas, dos sabores às descobertas, do ruído dos recreios e das salas de aulas, dos recados que fizeste passar nos cadernos, do choro compulsivo porque te disseram que não; ou porque a nota no teste não foi boa; ou porque não vais puder sair naquela noite; ou porque alguém se despede de ti ou porque alguém partiu, definitivamente.
Há um dia em que te sentas numa mesa de café e te lembras: dos livros que leste, da música que dançaste, dos filmes que viste e discutiste, das fotografias que tiraste e dos sorrisos nelas imprimidos, dos passeios da escola, das férias com os amigos, das viagens maiores e das mais pequenas…
Há um dia em que sais para trabalhar e te vem à cabeça o dia em que deixaste a primária. O dia em que entraste na faculdade. O dia em que pela primeira vez recebeste um salário… o dia em que pela primeira vez rodaste a chave de uma casa tua.
Relembras, então, os dias felizes na primeira pessoa. Quando eras só uma pessoa. E pressentes que nascerás outra vez!...

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

verdades


'O que tenho de torta eu tenho de feliz'

M.M.

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Ai... o Verão!

Levem-me para lá e deixem-me lá ficar!

Não sei se à conta da emigração que se instalou neste País, acho que é o primeiro ano em que vejo tantas imagens de amigos e gente conhecida do outro lado do Oceano ou noutros Oceanos... com pouca roupa, pés na areia, cabelos pintados por reflexos de sol, sorisão aberto, peito aberto abraçado ao calor... eu eu aqui, no gabinete, a ouvir o samba que entoa pelas ruas de Ovar e me enerva. A pensar na meia dúzia de gatos pingados que daqui a menos de uma semana enfrentarão um frio do caneco de corpinho bem feito, só porque alguém os convenceu que "isso aqui oiô é um pouquinho de Brasiu aiâ"!
E não é!
Pior ainda. Terei que me deslocar à terrinha em plena 3.ª feira de Carnaval, com ruas cortadas, em sucessivo "sacar" do livre de trânsito, sob pena de não poder vir trabalhar! Como se fosse possível pagar a dívida externa com a "enorme" (!!!) produtividade desse dia...
Mas pronto. É Carnaval e eu não tenho nada contra... só queria o Verão. Que me levassem para lá e me deixassem lá ficar... até Julho!