segunda-feira, março 15, 2010

marginal


adj. 2 gén. Da margem. Que está à margem. Diz-se do assunto, questão, aspecto, etc., de importância secundária e escassa. s. m. Pessoa que vive à margem da sociedade.


Hoje. Primeira tarde com cheiro a Primavera. Opção marginal ao som de bossa nova. Pôr-do-sol de tons quentes. Apetece-me. Ao longo dessa linha que percorre o mar, a barra, o rio, ponto de partida das minhas pontes rumo ao outro lado... ouvi a gargalhada em qualquer sítio. Como se o meu corpo já se tivesse refastelado em todos os ângulos desse percurso. Seja em conversas, em caminhos, em beijos, em suspiros ou só numa fotografia... nas duas margens. Da margem partem barcos, partem sonhos. Da margem ouve-se o mar. Olha-se o mar. Sente-se o cheiro. À margem ficam os percursos já feitos, os anseios desfeitos, os desejos refeitos. Na margem a minha pele estende-se ao sol. Na marginal dão-se passeios. Criam-se enlaces. Nascem histórias. Um marginal é como o Jeremias que escolheu o seu lugar do lado de fora. As dúvidas vivem na margem e felizes aqueles que não têm margem para elas. Nas margens das páginas fica o nada ou, apenas, a margem. Na margem das terras fica o fim da vida de quem nelas se deixa levar. Ficam os portos. Ao longo da margem do Douro fica o Porto. Na marginal do Tejo fica Alfama. E eu, que nunca fui deixada à margem, fiz de todos os meus sonhos marginais!

«É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um caco de vidro, é a vida, é o sol É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol É peroba no campo, é o nó da madeira Caingá candeia, é o matita-pereira É madeira de vento, tombo da ribanceira É o mistério profundo, é o queira ou não queira É o vento ventando, é o fim da ladeira É a viga, é o vão, festa da cumeeira É a chuva chovendo, é conversa ribeira Das águas de março, é o fim da canseira É o pé, é o chão, é a marcha estradeira Passarinho na mão, pedra de atiradeira É uma ave no céu, é uma ave no chão É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão É o fundo do poço, é o fim do caminho No rosto um desgosto, é um pouco sozinho É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando É a luz da manha, é o tijolo chegando É a lenha, é o dia, é o fim da picada É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada É o projeto da casa, é o corpo na cama É o carro enguiçado, é a lama, é a lama É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã É um resto de mato na luz da manhã São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração É uma cobra, é um pau, é João, é José É um espinho na mão, é um corte no pé São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã.
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Tom Jobim



segunda-feira, março 08, 2010

Day W

Não gosto nada do Dia Internacional da Mulher. Acho assim uma coisinha um bocadinho deprimente como se nos oferecessem uma diasito p'ra ficarmos muito felizes. Wiiii! Ao menos se fosse feriado, nos dessem um cheque-compras, nos trouxessem ao colo... ainda estou como o outro. Até porque não digo que não aos requintes cavalheirescos do "abre-me a porta", "puxa-me a cadeira", "paga-me a janta"!
Mas enfim, tudo o que recebi foi um sms duma oficina qualquer a oferecer-me desconto na instalação de sensores de estacionamento, o que, valha-nos Deus, é triste!
Entretanto, gostei que a vencedora dos oscars tenha sido uma mulher e achei graça a que ela fosse, precisamente, ex-mulher do favorito!
Parece que afinal também tenho uma certa costela feminista!
E adoro adoro adoro estas bonecas!

"Better than your ex and better than your next!"

Feliz dia, my friends*

quarta-feira, março 03, 2010

The pig

Caros Amigos e Amigas,

Sendo muito prática e indo directa ao assunto: estou lixada!!!
Como portuguesa que sou não fujo à crise e os meus fundos já conheceram melhores dias. Despesas extraordinárias se avizinham e a partir de agora vou cortar em TODOS os gastos supérfluos que apareçam. E nalguns essenciais também lá terá de ser.
Posto isto, eis senão quando divulgam o cartaz do ALIVE!!!
Então esse não era aquele festival no qual nunca vinha grande coisa que eu gostasse e onde nc pus o pé?! Dizeis bem. Era, Foi! Em tempos... este ano é do c... e eu não posso faltar!
Posto isto, pressinto que no decurso do ano esta não vai ser a única vontade indomável.

Expostos que estão os considerandos passo a apresentar o projecto:

- hoje mesmo deslocar-me-ei a uma loja de cidadãos da república popular da china e adquirirei um maneki neco e um porco mealheiro;
- o maneki neco terá a pata direita levantada que diz quem sabe que é riqueza;
- o porco andará a circular pelas casas dos meus amigos - podem até tirar fotografias com ele se quiserem nas vossas muitas viagens ou no sossego do lar;
- a única coisa que vos peço é que nunca o abram e o entreguem em minha casa são e salvo e com uns trocos bem jeitosos porque é isso que o porco come.

Assim, numa corrente que se quer universal e abrangente vocês vão tentar que o porquinho dê uma grande volta e volte às minhas mãos gordinho ainda a tempo do Verão.

Prometo que depois arranjo uma editora que publique esta Aventura em livro.

Que tal? Alinham?

A gerência agradece ( e muito!)

terça-feira, março 02, 2010

Bonnie & Clyde


Se você crê em Deus Erga as mão para os céus E agradeça Quando me cobiçou Sem querer acertou Na cabeça Eu sou sua alma gémea Sou sua fêmea Seu par, sua irmã Eu sou seu incesto Sou igual a você Eu nasci pra você Eu não presto Eu não presto Traiçoeira e vulgar Sou sem nome e sem lar Sou aquela Eu sou filha da rua Eu sou cria da sua Costela Sou bandida Sou solta na vida E sob medida Pros carinhos seus Meu amigo Se ajeite comigo E dê graças a Deus Se você crê em Deus Encaminhe pros céus Uma prece E agradeça ao Senhor Você tem o amor Que merece!

D' O [meu] Chico

\\sob medida\\