quinta-feira, novembro 27, 2008

Beijo Roubado

video

Um beijo roubado, dizem, é sempre mais valioso...

Não sei. Também gosto dos outros beijos. Acho até que gosto de todos. Gosto do conforto. Do quentinho. Da ternura. Que sejam sempre de quem gosto.

Por isso aqui fica: Em jeito de beijo... deliciem-se!

P.S. Tal como eu me deliciei quando o vi no blog da Lipas & Friends... e roubei!

"A Loucura. Porque é mais sã que a falta dela."

Fernando Pessoa

quinta-feira, novembro 20, 2008

code:morse


... - ..

the show


Quando tu me vires no futebol
estarei no campo cabeça ao sol
a avançar pé ante pé
para uma bola que está
à espera dum pontapé
à espera dum penalty
que eu vou transformar para ti
eu vou atirar para ganhar
vou rematar
e o golo que eu fizer
ficará sempre na rede
a libertar-nos da sede
não me olhes só da bancada lateral
desce-me essa escada e vem deitar-te na grama
vem falar comigo como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos jogar
Quando tu me vires no music-hall
estarei no palco cabaça ao sol
ao sol da noite das luzes
à espera dum outro sol
e que os teus olhos os uses
como quem usa um farol
não me olhes só dessa frisa lateral
desce essa cortina e acompanha-me em cena
vamos dar à perna como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos bailar
Quando tu me vires na televisão
estarei no écran
pés assentes no chão
a fazer publicidade mas desta vez da verdade
mas desta vez da alegria
de duas mãos agarradas
mão a mão no dia a dia
não me olhes só desse maple estofado
desce pela antena
e vem comigo ao programa
vem falar à gente como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos cantar
E quando à minha casa fores dar
vem devagar
e apaga-me a luz
que a luz destoutra ribalta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta ...


Espectáculo * Sérgio Godinho

quarta-feira, novembro 19, 2008

- SPAC - PAC -

A.S. (Ante Scriptum... se é q isto existe!) : Depois da lamechice dos últimos dias, capaz de provocar altas emoções nos menos cardíacos, devia isto às minhas queridas amigas e aos meus desinteressados amigos que partilham comigo jantares de McD' Gourmet e alinhamento de Chakras. Aqui está. Ao vivo e cores. O Factor SPAC:
Reza assim,
" A amizade, entre um homem e uma mulher é (o leitor que escolha) um bico-de-obra; uma coisa muito linda; ainda mais complicado que o amor; absolutamente impossível; amizade da parte da mulher e astúcia da parte do homem; astúcia da parte da mulher com amizade da parte do homem; só possível se a mulher for forte e feia; impossível se o homem forminimamente atraente; receita certa para a desgraça; prelúdio certo para o romance; indescritível; inenarrável; sempre desejável; o que Deus quiser; o diabo. O leitor que não tenha escolhido todas as hipóteses não percebe nada disto. Quanto à leitora, o mais provável é ter ficado a pensar , já que as mulheres portuguesas, por dura experiência, percebem mais destas coisas que os homens. Em Portugal, a amizade entre pessoas de sexos opostos (ou sexualidades opostas) é sempre muito problemática, dada a chamada «cultura vigente». A cultura vigente é dominada pelo conhecido Factor SPAC, que influencia todas as relações entre homens e mulheres. O factor SPAC (que significa, em repreensível português, Salto Para A Cueca esta sempre presente. E a mulher que repara que o seu grande amigo esta disposto a discutir todos os problemas dela com a maior paciência e compreensão, mas que começa a arroxar e a esverdear, a puxar o lustro à cadeira com o rabo, sempre que ela lhe revela estar muito feliz com um novo amor. Ou (pior ainda) com um velho. Se o amigalhaço suporta a miséria mais camilianacom um sorriso, mas não aguenta a mínima menção de alegria, se ajuda muito nos dissabores e desamores mas empata ainda mais nos sabores e amores, levanta-se no espírito da mulher, legitimamente ou não, o factor SPAC. E ela interroga-se: «Se calhar este também me quer Saltar Para A Cueca? E se calhar quer. Se isto é ou não um crime, é o que se vai ver. O problema não é exclusivo das mulheres, também os homens podem atribuir a certos comportamentos femininos uma medida do factor SPAC (sobretudo o tipo de homem que pensa em Catherine Spaak, a esquecível actriz de cinema, antes de pensar em Paul-Henri Spaak, o memorável espírito impulsionador da CEE). O homem português tende a distinguir mais claramente entre Amigos e Amigas. Os Amigos são para copos e conversas escandalosas de bola e de «boas». E são também, nos casos extremos, para Sempre. As Amigas são para chavenas de chá e conversas profundas sobre a natureza do Inverno. Isto sem falar nos típicos caraméis para quem amigas é: todas as pessoas do sexo oposto com número de telefone, olhos bonitos e uma possibilidade mínima de 1 por cento na tabela SPAC. A amizade entre homens e mulheres pode chamar-se isenta de factor SPAC quando se fala livremente, como os amigos falam, de terceiros amores. Se uma rapariga se sente a vontade para chegar ao pé de um rapaz e dizer pá! Sabes o que me aconteceu? Apaixonei-me! Não é porreiro? e se o rapaz acha que sim, que é bastante porreiro, então pode dizer-se que o factor SPAC está de ferias. Claro que haverá sempre alguns ligeiros ciúmes «Afinal já não posso ir contigo à festa — vou com a Gisela / o Giselo ao concerto, desculpa lá». Mas nada que ponha em perigo a amizade. Uma das maneiras tradicionais de atenuar o factor SPAC e S mesmo PAC. «Pronto, agora que já estamos despachados neste departamento» diz amulher para o homem, atirando-lhe o maço de cigarros [está bem, pronto, de SG Pack], — vamos lá a ver se ficamos amigos». Os ex-amantes, depois do grande holocausto, podem dar bons amigos (desde que não se tenham amado de mais e dado cabo dos dois coraçãozinhos logo à partida). No cenário pós-SPAC (reza a teoria do Cacaracá conforme se expõe nos cafés do Porto e Lisboa), a curiosidade sexual é imediatamente saciada e a amizade pode florescer, desimpedida das ervas daninhas do desejo. E caso o salto seja em altura, homem e mulher, presumivelmente, decidem continuar amantes.Esta teoria (do Machao-Latino, ou não presta, porque supõe que o SPAC é uma coisa simples e toda a gente sabe que, na cama, fazer amor é uma coisa, fazer só por fazer e outra, mas fazer amizade não é nem uma coisa nem outra. Mas a teoria oposta (da Machona-Lusitana, «M-L à mesma)também não serve. Imaginando que o factor SPAC nunca existe entre um homem e uma mulher que sejam verdadeiros amigos, caem no simplismo contrário. Tal como o homem que pensa «Que chatice! Isto nunca mais passa da amizade para o que interessa!), a mulher que pergunta: «Será que este é mesmo meu amigo ou estará a fazer-se ao piso?» está a cometer o mesmo erro. É como perguntar acerca de um pastel de nata se é mesmo feito de farinha ou só de nata. Portugal não é só Lisboa, mas Lisboa também é Portugal (e não é pouco).Se fosse como os M-L machos e fêmeas diziam, então os homens só podiam ter amigas muito feias (o que é limitativo) e as mulheres só podiam ter amigos muito desinteressados (o que seria muito desinteressante). A própria ideia de uma amizade inocente põe a hipótese de uma amizade culpada. Ora ninguém pode ter culpa de ser amigo doutra pessoa. A verdade é outra. Como as mulheres são diferentes dos homens (por exemplo, os segundos sentem-se mais obrigados a tentar SPAC das primeiras do que as primeiras PAC dos segundos), é natural que essa diferença se faça sentir nas relações de amizade. Quando não existe a mínima atracção de parte a parte, tudo bem. Mas quando existe, também não é mau. Alias, se houver uma gestão elegante dos vários frissons envolvidos, pode até ser melhor. Vejamos. Em geral, as mulheres portuguesas gostam mais de ter amigos do que ter amigas. 0 Problema é que os homens também. Isto leva a um desequilíbrio considerável na oferta e na procura de amizades. Posto de maneira brutal, não faltam mulheres dispostas a serem amigas de homens. Os homens é que faltam mais. E aproveitam-se disso. Por outro lado, as mulheres, regra geral, tornam-se amigas dos homens pondo a raridade e o valor da amizade acima da maior vulgaridade do SPAC. Tanto mais que o homem português não põe facilmente a hipótese de uma mulher se tornar amiga dele para lhe SPAC. O raciocínio típico do Homo lusitanus é simples: «0h... se ela me quisesse SPAC escusava de estar com tanto trabalho! Em Portugal é assim. O homem acha que, no que toca a SPAC, é ele que tem de trabalhar. E a mulher também conseguiu convencer o homem que é isso que ela acha também. Logo, o trabalho de amizade de uma mulher nunca é levado a mal pelo homem (é levado por outras mulheres; mas essa é outra história). Em contrapartida, o trabalho do homem é sempre posto em causa. E muito bem posto, aliás. Se ele propõe «Talvez fosse melhor ficarmos aqui em casa hoje à noite, não ouviste o boletim meteorológico?», ela faz muito bem em pensar: « Está bem, filho, já vais ver a imagem do satélite...». Mas faz mal em duvidar da amizade dele só por causa disso. A verdade é que o amigo talvez gostasse de lhe SPAC, não lhe cairia mal, não senhor, mas pronto, se não puder ser, ninguém morre por causa disso, ficamos amigos à mesma. Seja por natureza, seja por formação, o homem tem sempre de manter presente a possibilidade de SPAC da mulher. Pode ser de maneira Roskoff (tentando abertamente) ou pode ser de maneira Rachmaninoff (pensando, pianinho, na eventualidade de ficarem só os dois numa ilha deserta depois de uma bomba atómica ter destruído toda a humanidade), mas lá ter de ser, tem. Resumindo: para as mulheres, como amigas de homens, a «amizade, amizade,amores à parte», enquanto para os homens é mais «amizade, amizade, e uns amores a parte, se puder ser, se faz favor, se não também não faz mal». Na verdade, a amizade e o factor SPAC não são mutuamente exclusivos. Pode ser-se muitíssimo amigo de alguém que se deseje muito, pouco, muitopouco ou nada. O factor SPAC tem o mesmo peso na amizade que o MaxFactor no amor. Nem mais. "
by MEC, in "Os meus problemas"

segunda-feira, novembro 17, 2008

Então, bate bate coração...



*Parabéns*

sexta-feira, novembro 14, 2008

post scriptum

Já após publicação do post anterior Miss Mel descobre isto:


"Boneco Melocoton. O boneco que não para de rir"

Eu sei. Eu tenho poderes paranormais!

*QueendoM*




Mais uMa vez bateMos no tecto! We Made it. SoMos um clube ultra privado e secreto de M's!

CoMo M de nascença que sou - chaMo-me Mafalda e nasci em MafaMude da barriga da Minha Mãe que se chaMa Maria, no Mês de Maio, à uMa da Manhã - toMei a liberdade de publicitar de uMa vez por todas os nosses noMes.

Isto posto, Las MiMocas:

(e por ordem de nascença, que isto da antiguidade é um posto)

Miss Mïls - sei lá... miles de coisas boas.

Miss Marta - A Marta

Miss Mi... Joca

Miss Mi...cas (ou Miriti, também serve)

Miss Mafas... euzinha!

Miss Mél - que vem de Mélocoton... ainda não sabe, e nem nós sabemos porquê, mas no final dá Mel e nós gostamos ;) (é tu Danizita... pois é!)

Miss Melancia: docinha, fresquinha e suculenta

e pra finalizar:

Madame Felicity... minha Mary do coração!



E pronto: 7 Misses e uma Madame. Melhor que na Venezuela!!!

Eu disse que tínhaMos batido Muito aciMa...

terça-feira, novembro 11, 2008

s. martinho


Do que me lembro muito bem é que estava frio. E que tinha ficado umas quantas horas parada no trânsito, o que me deu pouca vontade de sair nessa noite. Mas eram noites mais agitadas as desse tempo...
Do que me lembro é do som dos Kings of Convenience. Do colanço na porta da casa-de-banho. Do “o meu nome é Pedro e o teu qual é?”. De lhe terem chamado Plano B. Da fila dos casacos. Das tuas all star e das minhas sabrinas de verniz. Lembro-me bem do telemóvel escrito no talão de compra dessas sabrinas e que ligaste no dia a seguir...
Do que me lembro é das borboletas no estômago, do nervoso miudinho na quinta da Marta, do jantar agitado em casa da Isa, de teres ido ao Piolho, da conversa horas a fio no fim da noite...
Do que me lembro é de ter passado horas a escolher o que vestir, de não ter sabido falar ao telefone, de ter ficado envergonhada quando te vi "à luz do dia", do café no Lobby...
Por aí fora é uma história. É um laço. Que é mais abraço. Que é a ternura que se encontra em cada ponto. Deste conto. Que é a minha vida. E a tua vida. E o nosso espaço.
P.S. Diz a lenda que S. Martinho tirou a capa pra abrigar o indigente do frio ... e por milagre fez-se Verão. Abriu-se o sol.
"Que bom te encontrar nesta cidade..."

quinta-feira, novembro 06, 2008

apetece-me-te

"Ó pedaço de mim. Ó metade adorada de mim"
*Chico Buarque*

quarta-feira, novembro 05, 2008

he has a dream



Nasci em 1981. Ano em que a IBM apresentou o seu 1.º PC. 1985: LIVE AID. 1986: Portugal entra na CEE. Na URSS dá-se o acidente nuclear de CHERNOBYL. Em 1987 o Estado adquiriu a quinta e a Casa de Serralves com o objectivo de aí fundar um Museu de Arte Moderna. 1998: atentado de LOCKERBIE. 1989: cai o MURO de Berlim. 1990. PERESTROIKA. Guerra do GOLFO. Em 1991 morreu Freddie Mercury, vítima de SIDA. 1992: UE. Guerra da Bósnia. 1996: clonagem da ovelha DOLLY. 1998. José Saramago vence o prémio Nöbel da Literatura. 1999 - libertação de TIMOR Leste pela ONU. Devolução do território de MACAU à administração chinesa. anos 90 generalização do uso da INTERNET 2001: 11 de Setembro. 2002: entra em circulação o EURO. 2004: 11 de Março. EURO 2004. 2005: 7 de Julho. 2007 - assinatura do TRATADO de LISBOA.
E ontem aconteceu HISTÓRIA à nossa frente!
Oh Lord can't you see?

terça-feira, novembro 04, 2008

Dia B


Cântico Negro
Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide!
Tendes estradas,Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
- José Régio -
Devia este poema ao blog há muito tempo. Agora que estou em terra do poeta parece-me um bom dia para um Cântico Negro! Será? We Hope!