sexta-feira, janeiro 30, 2009

||feliz||

Sei de algumas tristezas que aí andam no ar. O que até é normal face à carinha deste tempo ranhoso, face à falta de sol nas nossas cutxis, às saudades, ao trabalho excessivo, ao envelhecimento precoce, à poluição, ao estado caótico no nossa política e, claro está, à crise!
Mas como não aprecio estados de tristeza, digo, não gosto, acho piroso, fazem rugas e não são nada trendy ... aqui vai, para ensoalhar o Vosso Dia:
" ...Feliz é uma coisa que se é ou não é. Não se pode "estar" feliz. Pode-se estar bem disposto, pode estar-se alegre, pode estar-se satisfeito, mas feliz é a coisa que simplesmente não faz sentido estar. Ou se é ou não se é....Feliz é também uma coisa que ninguém se torna, que ninguém fica e que ninguém compra. Ou se é ou não se é. É como ser louro (apesar de eu achar que ser feliz é mais parecido com ser moreno). As pessoas felizes são aquelas que têm vergonha de falar nisso. Em Portugal, dizer "eu sou feliz" é como dizer "eu sou rico". É escandaloso....Para se ser feliz é preciso ser um bocado parvo....As pessoas felizes só pensam nos outros. É como se não existissem. É por isso que conseguem ser felizes. É uma ilusão de óptica muito bem feita. Ninguém é mais feliz que o homem invisível....Para se ser feliz é preciso ser-se um pouco cegueta. Entre as coisas que as pessoas miseráveis, normais, estão sempre a chamar às pessoas felizes, há: ingénua, lírica, naïf, boazinha. Aquela de que gosto mais é "Vives noutro mundo!". Haverá coisa melhor que viver noutro mundo, para quem conheça minimamente este?...Em Portugal, a felicidade é reprimida. A felicidade, em Portugal, é considerada uma espécie de loucura. Porquê? Porque os portugueses, quando vêem uma pessoa feliz, julgam que ela está a gozar com eles....Ninguém tem pena das pessoas felizes. Os portugueses adoram ter angústias, inseguranças, dúvidas existenciais, porque é isso que funciona na nossa sociedade. As pessoas com problemas são mais interessantes. Nós, os tontos, não temos interesse nenhum porque somos felizes....E, no entanto, as pessoas felizes também sofrem muito. Sofrem, sobretudo, de culpa....As pessoas felizes precisam de se afirmar, de deixar de fingir que também estão permanentemente na fossa. Devia haver emblemas grandes a dizer "EU SOU FELIZ E ESTOU-ME NAS TINTAS" ou "EU SOU FELIZ E NÃO TENHO CULPA"....As pessoas felizes também choram, também sofrem, também se angustiam. Só que menos. Aliás, muito menos... "
Le Grand MEC! Who else?

terça-feira, janeiro 27, 2009

coucou ma belle*


boneca * muñeca * bambola * poupée * doll
Acrescentando : "eu gosto é de festa"... e de vestidos p'ra dita!!!

domingo, janeiro 25, 2009

che tango che


Che, Tango, che,
brujo y fatal,
tango malandra y criminal,
che, Tango, che,
dame otra biaba y gritaré...
"que vos me adorás...",
che, Tango, che.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Já.


Não sei quem escreveu. Chegou-me por mail. Gostei. E depois da noite de ontem faz mesmo sentido. Tenho a certeza que todas nós - Já ... Porque só para quem Já ... se justifica a vida doce e o sabor feliz...

*
"Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, ja me queimei a brincar com uma vela, ja fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, ja falei com o espelho, ja fingi ser bruxo.
Ja quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; ja me escondi atras da cortina e deixei esquecidos os pés de fora.
Ja roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo caminhando pelo desconhecido.
Ja raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, ja me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Ja tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí por uma escada. Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Ja corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei na piscina e não quis sair mais, já tomei whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um 'para sempre' pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua; já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionario pergunta-me, grita-me desde o papel:
- Qual é a sua experiência?
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. Experiência.... Experiência... Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionario:
- Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"
*

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Lado B

Tudo vem do tempo dos discos de vinil. Do som do pó. Da agulha partida que acaba com a música. Da voz fininha com que ficavam os cantores quando erradamente mudavamos o cursor para 33 ou 45 rotações.
Nessa altura podíamos comprar um disco pequenino (de 45 r.) só com uma música - aquela que dava a toda a hora na rádio - o single!
Depois. Mais tarde, podiamos arriscar o disco inteiro.
Das duas formas tínhamos dois lados. O tal do lado A e lado B.
Normalmente... só quando o lado A estava esgotado viravamos o disco, esperando que não tocasse o mesmo.
E não tocava. Tocava sim as músicas mais difíceis. Mas normalmente as preferidas dos autores e dos ouvintes ... depois de cansado o lado óbvio.
Engraçado este conceito dos dois lados do disco... que trespassou mais tarde - na gíria - para os dois lados de nós mesmos. Como se o A fosse aquele que usamos e o B o que se esconde.
Mas como descobrir a diferença enquanto o disco toca um ou outro?!
Se estou do avesso?
Hmmm. Estou do contrário.

Ou então não me importo de ser, como a cidade,"o avesso, do avesso, do avesso, do avesso ..."

terça-feira, janeiro 13, 2009

Press Release

13 Janeiro 2009 - 01h11

Magistrados: Estágio na prisão

Candidatos a magistrados vão neste ano lectivo passar dois dias à prisão para conhecerem o sistema prisional. “É importante que o futuro magistrado saiba para onde pode mandar alguém, se for caso disso”, disse Anabela Rodrigues, directora do Centro de Estudos Judiciários.
Correio da Manhã

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Let it Snow...

Hoje nevou em Vila do Conde. Parece que há 22 anos que não acontecia. E tudo visto do alto do Mosteiro. Aquele que em breve será um hotel. Mas de onde todos os dias vejo o mar e o rio. E hoje a neve.

Hoje valeu a pena este frio. O frio que os olhos não sentem. Só brilham. Ao ver tanta beleza pela janela...